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A Jornada – os diversos aspectos e fases do tratamento do paciente oncológico

Foto do escritor: drpedrolourega
drpedrolourega
30 de jul. de 2021
3 min de leitura

O paciente, ao chegar ao oncologista, já percorreu uma jornada usualmente longa, repleta de exames e intervenções. Entretanto, ao se deparar com a consulta oncológica, um novo mundo na medicina é descortinado.


Temas que anteriormente não eram conversados no seio familiar, um modo de acompanhamento médico totalmente planejado e orientações técnicas que parecem não ter fim, passam a integrar o cotidiano desta pessoa.


Nas abordagens terapêuticas dos pacientes com câncer temos medicamentos, cirurgias e radioterapia, além de equipes multiprofissionais que são fundamentais para melhores desfechos.


Quimioterapia / Imunoterapia Estratégia terapêutica que atua no combate aos tumores, por meio de medicamentos. Uma vez que a pessoa tenha o diagnóstico do câncer e já definido o estágio em que se encontra a doença, é avaliado o melhor método quimioterápico. Essa escolha leva em consideração o objetivo de agregar chances de cura, prolongar a vida desta pessoa e aliviar sintomas.

São dezenas de compostos químicos empregados isoladamente ou em alguns modelos combinados, que foram amplamente estudados e validados em estudos científicos controlados. Atente-se a discursos como "eu faço assim com todos os pacientes e sempre deu certo".


Cada pessoa tem suas particularidades, cada organismo reage e necessita de formas e cuidados diferentes. Por isso, também são avaliadas a situação clínica do paciente, suas comorbidades, o entendimento dos riscos e, fundamentalmente, os desejos da pessoa.


Radioterapia

Abordagem de tratamento em que uma radiação gerada através de um aparelho elétrico é direcionada ao corpo do paciente, em local planejado com precisão e sob responsabilidade de um médico radioterapeuta.

Diferentemente da quimioterapia, que age em todo o organismo, a radioterapia tem ação limitada ao seu campo de ação. Não, não dá pra fazer no corpo inteiro! Há doenças em que podemos utilizar a radioterapia em cenários pré-operatórios ou em complemento ao ato cirúrgico.

Também há indicação para tratamento paliativo e alívio pontual de sintomas, principalmente de dor, em alguns casos. Vale reforçar que a radioterapia é uma estratégia terapêutica extremamente segura, dadas a precisão do seu planejamento e todo o cuidado que a equipe envolvida tem com o paciente.


Cirurgia

A cirurgia voltada ao tratamento do câncer possui maior indicação quando objetivamos a cura dos pacientes. Novamente: o diagnóstico precoce amplia as chances de oferecermos cirurgias bem sucedidas.

Diferentemente dos procedimentos para casos não oncológicos, os cirurgiões que atuam no combate ao câncer realizam procedimentos com o foco de eliminar o máximo possível de doença e suas vias de disseminação no organismo. Técnicas de videocirurgia e cirurgia robótica são utilizadas com muita propriedade neste segmento, com resultados positivos muito impactantes.


Efeitos colaterais

Felizmente, os efeitos graves organicamente são raríssimos. Tomados os cuidados preventivos possíveis, somado à atitude colaborativa do paciente ao informar seus sintomas, conseguimos passar por esse período com maior tranquilidade.

Sabemos que os medicamentos possuem algumas toxicidades que não são iguais (por exemplo, nem todos causam queda de cabelo) e que alguns hábitos de vida podem proporcionar maior ou menor tolerância (principalmente no gatilho do vômito). O que podemos fazer é atuar preventivamente, obtendo hábitos de vida saudáveis e contando com o apoio especializado de nutricionistas e psicólogos.


Abordagem Multidisciplinar

É impossível que um profissional tenha domínio de todas as áreas que envolvem a vida de um paciente. Aspectos emocionais, sociais e familiares precisam ser supridos. São muitas questões que surgem ao longo da abordagem terapêutica: como estabelecer padrões alimentares? Como proceder com o restante da família em um processo de recomeço?

Qual momento ideal para cirurgia e como gerenciar as possíveis dificuldades? A quimioterapia vai influenciar em algum aspecto nutricional, cirúrgico ou existencial daquela pessoa? A radioterapia será em quantas frações e como monitoramos os efeitos adversos potenciais?


Quem ousar responder a tudo isso, sozinho, estará sendo, no mínimo, superficial. Nos unimos aos que acreditam em manejo de equipe porque assim beneficiamos aqueles que confiam suas vidas ao nosso trabalho. Equipe de saúde é um time. O time vence o talento de um craque.

 
 
 

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